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Tabagismo e Pele

Cigarros eletrônicos e seus perigos para a pele
Os sistemas eletrônicos de entrega de nicotina são dispositivos que utilizam energia térmica produzida por uma bobina de aquecimento para vaporizar um líquido, criando aerossol que pode ser inalado para imitar os efeitos
de fumar tabaco.
 
Comumente considerado como substituto seguro durante o processo de desistência do tabagismo, os cigarros eletrônicos tem sido associados ao aumento da prevalência de condições dermatológicas.
 
Por exemplo, Hua et al realizaram uma revisão de fóruns on-line de cigarros eletrônicos em busca dos efeitos na saúde e sintomas relatados. Do total
de 481 usuários de cigarro eletrônico que postaram um sintoma nos fóruns, 67 (13,9%) relataram sintoma dermatológico, incluindo dermatite, queimaduras, acne, furúnculos, bolhas etc.
 
Epidemiologia
 
Os cigarros eletrônicos foram introduzidos no mercado dos EUA pela primeira vez em 2007. Desde então, seu uso nos Estados Unidos e no mundo disparou. Em 2016, 3,2% dos adultos dos EUA eram consumidores de cigarros eletrônicos e 15,4% haviam usado cigarro eletrônico ao menos uma vez. Isso se compara com 15,5% dos adultos norte-americanos fumantes convencionais. Além disso, um estudo de 2016 mostrou que 2 milhões de estudantes de escolas secundárias dos EUA relataram o uso de cigarro eletrônico nos últimos 30 dias.
 
Como os cigarros eletrônicos não contêm agentes cancerígenos ou alcatrão, um
equívoco comum é acreditar que eles são seguros. No entanto, há uma emergente e crescente literatura questionando a segurança desses dispositivos.
 
Os dados atuais sugerem uma associação entre o uso de cigarro eletrônico e efeitos nocivos para as vias respiratórias e sistema cardiovascular, levando a um aumento da rigidez dos vasos e da pressão arterial, irregularidade dos batimentos cardíacos, inflamação pulmonar e aumento do risco de doença cardiovascular, respiratória e morte.
 
Dermatite de contato
 
Nos últimos 3 anos, um aumento do número de casos de dermatite de contato secundária ao uso do cigarro eletrônico foi relatado. A dermatite é secundária à
liberação de níquel. A fonte de níquel é a bobina de aquecimento. O níquel é transmitido através do dispositivo, frequentemente desencadeando irritação, eritema, prurido e descamação na mão dominante usada para segurar o cigarro.
 
Lesão térmica
 
Cigarros eletrônicos são comumente equipados com baterias contendo lítio. O uso desse tipo de bateria está associado a vários riscos inerentes. Projeto ruim, falhas de fabricação e o uso de materiais de baixa qualidade na produção da bateria, podem levar à falta de regulação térmica interna, fazendo com que a temperatura suba de tal forma que resulte em incêndio e / ou explosão. Esse ciclo é conhecido como fuga térmica, e é o mecanismo por trás das lesões cutâneas relacionadas ao cigarro eletrônico – queimaduras de diferentes graus.
 
Além disso, a explosão de um cigarro eletrônico pode resultar em graves lesões dos tecidos moles, injúrias térmicas, perda dentária e necessidade de reparo cirúrgico dos drásticos defeitos teciduais.
 
Entre 2015 e 2017, houve uma estimativa de 2035 admissões nos departamentos de emergência dos EUA por lesões secundárias à explosão e queimadura por cigarros eletrônicos, mais de 40 vezes o número de lesões relatadas pelo FDA de 2009 a 2015.
 
Um recente relato de série de casos demonstrou que o tamanho médio das áreas queimadas foi de 4% da superfície corporal, sendo os locais mais comumente acometidos: coxas, mãos e órgãos genitais. Quase todos os pacientes (26 de 30) necessitaram hospitalização e 9 pacientes necessitaram de cirurgia como resultado de seus ferimentos.  
 
Lesões orais
 
Lesões da mucosa oral há muito tempo demonstraram-se associadas ao tabagismo.
A literatura atual não demonstra um risco reduzido no desenvolvimento de lesões orais substituindo-se cigarros tradicionais por cigarros eletrônicos. De fato, um aumento da prevalência dessas lesões tem sido demonstrado em usuários de cigarro eletrônico. Lesões inflamatórias mais comumente descritas:
  • Estomatite por nicotina:
Condição irritativa da mucosa oral, também conhecida como queratose do fumante. Envolve alteração difusa da coloração do palato duro, que pode progredir para espessamento e fissura da mucosa - aparência clássica de "lama rachada". A exposição da mucosa do palato a nicotina, ao calor, ou ao compostos químicos introduzido no líquido para adicionar sabor, podem ser os fatores etiológicos. 
  • Candidíase hiperplásica:
A candidíase hiperplásica é causada por um crescimento excessivo de espécies do fungo Candida na cavidade oral. Apresenta-se como manchas brancas nas comissuras da mucosa oral. Presume-se que o aumento da candidíase hiperplásica pode ser devido a uma alteração favorável do pH induzida por substâncias químicas utilizadas para aromatizar os cigarros eletrônicos.
  • Reação liquenóide oral:
Reação liquenóide de etiologia alérgica, que tem apresentação clínica semelhante ao líquen plano oral. O propilenoglicol é o principal agente associado a essa reação, tendo sido anteriormente associado a dermatite alérgica de contato
e efeitos irritantes na pele, especialmente em altas doses. 
  • Língua vilosa nigra:
Condição assintomática benigna que envolve duas fisiopatologias: alongamento das papilas filiformes secundário à falta de descamação na região dorsal da língua e descoloração da língua como resultado de um ambiente oral alterado, levando ao crescimento de bactérias ou leveduras produtoras de porfirinas cromogênicas.
 
Achados da literatura demonstraram, com significância estatística, uma maior prevalência de língua vilosa nigra em consumidores de cigarros eletrônicos do que em ex-fumantes. Especula-se que essa prevalência mais alta pode ser devida às alterações de pH associadas a esse tipo de cigarro, efeitos do ressecamento da mucosa, altas temperaturas intraorais, alteração local das barreiras de membrana e respostas imunes, ou alteração da resistência a infecções fúngicas e virais.
 
Conclusão:
 
Embora haja um equívoco comum de que os cigarros eletrônicos são uma alternativa ao tabagismo, devido à falta de agentes cancerígenos e alcatrão. Existem evidências recentes significativas de que o cigarros eletrônico, assim como o convencional, seja prejudicial para a pele humana.


Fonte: Recente estudo publicado na principal revista científica dermatológica do mundo (JAAD): Visconti MJ, Ashack, KA. Dermatologic manifestations associated with electronic cigarette use. J Am Acad Dermatol. 2019 Oct;81(4):1001-1007.
Malefícios do Cigarro para a Pele
A fumaça do cigarro contém mais de 4.000 substâncias tóxicas, sendo a nicotina o composto mais nocivo. Ela é responsável pela vasoconstrição, que gera diminuição do fluxo sanguíneo na pele. Além disso, o fumo atua no sistema nervoso simpático, o que também causa vasoconstrição. Esses fatores, em conjunto, geram hipóxia tissular significativa, ou seja, um único cigarro determina vasoconstrição cutânea por mais de 90 minutos. A isquemia crônica dos tecidos gera lesão das fibras elásticas e diminuição da síntese do colágeno.
 
Além disso, a estimulação dos leucócitos pelos componentes do tabaco causa liberação de íons superóxidos. Essa liberação de radicais livres pode causar lesão tissular por ação direta, ou indireta, através da inativação das enzimas que em circunstâncias normais protegeriam o tecido da ação proteolítica. O fumo causa ainda aumento da agregação plaquetária, diminuição da formação de prostaciclinas, aumento da viscosidade sanguínea e aumento da atividade plasmática da elastase, levando à formação defeituosa da elastina e tornando a pele mais espessa e fragmentada.
 
Finalmente, o tabagismo gera aumento da hidroxilação do estradiol na pele, determinando, nas mulheres, um estado hipoestrogênico, evidenciado por pele seca e atrófica, com piora do aspecto geral.
 
A pele dos tabagistas apresenta-se pálida, atrófica, cinzenta e enrugada. As linhas ou rugas de expressão são mais proeminentes e comuns entre fumantes em comparação com não fumantes em todas as idades, sexo e mesmo nos grupos com maior exposição solar. Os danos cutâneos causados pelo cigarro, podem ainda ser potencializados quando existe associação com exposição à radiação ultravioleta, em especial nas peles mais claras.
 
Essas constatações constituem mais uma argumentação na luta contra o tabagismo, podendo tornar-se motivação efetiva para os mais preocupados com a aparência do que com os perigos internos.
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