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Psioríase

A psoríase, que atinge 1,5 a 2% da população nos países ocidentais, constitui um distúrbio hereditário da pele com várias expressões clínicas. A apresentação varia nos indivíduos, desde aqueles apenas com poucas placas localizadas até aos com envolvimento generalizado da pele. O tipo mais frequente é a psoríase vulgar, que ocorre sob a forma de placas avermelhadas e descamativas, crônicas e recorrentes, que acometem principalmente o couro cabeludo, cotovelos e joelhos. A doença acomete todas as etnias, sendo, porém, mais comum em caucasianos (brancos) do que em negros. Atinge igualmente homens e mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 40 anos, mas pode surgir em qualquer fase da vida. Início precoce: o pico de incidência ocorre aos 22,5 anos de idade (nas crianças, a idade média de início é aos 8 anos). Início tardio: começa aproximadamente aos 55 anos. Trata-se de uma doença de pele herdada geneticamente através de herança poligênica (vários genes envolvidos). Quando um dos pais tem psoríase, a propabilidade dos filhos desenvolverem a doença é de 8%; quando ambos apresentam psoríase, a propabilidade sobe para 41%. Cerca de 30% das pessoas que têm psoríase apresentam história de familiares também acometidos. Não é uma doença contagiosa e não há necessidade de evitar o contato físico com outras pessoas.
  
A psoríase é uma doença dermatológica crônica, caracterizada por inflamação e hiperproliferação das células da camada mais superficial da pele. É uma doença de pele não contagiosa, que surge devido a uma rápida reprodução e proliferação das células da pele, causando espessamento, inflamação e descamação. A psoríase pode causar lesões discretas ou ser uma doença grave com lesões extensas e comprometimento das articulações. A psoríase é uma doença crônica e ainda sem cura. A causa ainda não é muito bem compreendida, entretanto, sabe-se que surge devido a interações de fatores genéticos, ambientais e auto-imunes. Atualmente, tem se dado muita atenção ao papel do linfócito T, um dos nossos glóbulos brancos (células de defesa), que parece ser o responsável pela inflamação da pele na psoríase. Os linfócitos T normalmente combatem organismos invasores, mas na psoríase ele inapropriadamente passa a considerar as células da pele como agentes intrusos, atacando-as. O ataque do sistema imune contra a pele, além de causar intensa inflamação, estimula a produção de novas células para substituição das lesadas, causando uma rápida proliferação de novo tecido. Como as células mortas não conseguem ser eliminadas tão rapidamente, a pele começa a ficar mais espessa, pois as novas camadas formadas empurram as antigas para a superfície. Deste processo surgem as lesões típicas da psoríase. Fenômenos emocionais são frequentemente relacionados com o aparecimento das lesões, ou, com a piora de um quadro já estabelecido, provavelmente atuando como fator desencadeante em indivíduos com predisposição genética para a doença. O estresse é considerado um fator que exacerba a psoríase em 40% dos adultos e em percentual maior nas crianças.
 
Sintomas
As lesões cutâneas podem aparecer de forma aguda ou gradualmente. Em muitos casos, a psoríase aparece e desaparece repetidas vezes com o tempo. A doença pode se apresentar de forma distinta entre vários pacientes. Existem casos de indivíduos com lesões discretas e casos de indivíduos com lesões por quase toda a pele. A lesão típica da psoríase são placas de pele seca e avermelhada com descamação prateada/esbranquiçada. Essas lesões podem causar coceira e/ou dor.
   
O quadro de psoríase pode ser classificado em diferentes tipos, de acordo com as manifestações. São 7 os principais tipos de psoríase: psoríase em placas, psoríase gutata, psoríase invertida, psoríase eritrodérmica, psoríase ungueal, psoríase pustulosa e artrite psoriática. De forma resumida seguem as principais apresentações:
 
Psoríase em placas: É o tipo de psoríase mais comum, correspondendo a cerca de 90% dos casos. São lesões em placas, ovais, distribuídas simetricamente no coro cabeludo, cotovelos, joelho, umbigo e costas. Podem também surgir em mãos, pés e face. As placas são avermelhadas, discretamente elevadas com bordas bem definidas e escamação seca esbranquiçada. As lesões costumam ter de 1 a 10 cm de diâmetro e podem ser múltiplas ou poucas lesões isoladas. As placas costumam ser assintomática, mas alguns pacientes se queixam de coceira.
 
Psoríase gutata: É a psoríase que se manifesta como microlesões. São múltiplas lesões em forma de gota, menores que 1cm, acometendo geralmente o tronco e parte superior dos membros. As lesões da psoríase gutata surgem abruptamente, geralmente após um quadro de faringite ou amigdalite pela bactéria Streptococcus. Este tipo de psoríase pode desaparecer para sempre ou manifestar recidivas toda vez que houver crises de faringite.
 
Psoríase invertida: As lesões surgem predominantemente em áreas de dobras, como axilas, virilhas, glúteos, mamas e região genital. É mais comum em pessoas obesas e piora com a fricção e a umidade do suor. A psoríase invertida causa lesões avermelhadas mas sem descamação, sendo muitas vezes confundida com lesões fúngicas ou bacterianas.
 
Psoríase ungueal:
O acometimento das unhas pela psoríase, tanto das mãos, quanto dos pés, pode ocorrer isoladamente ou acompanhada pelas lesões de pele. As lesões típicas são pequenas depressões (buraquinhos), espessamento e uma tonalidade amarelada das unhas.
 
Psoríase pustulosa: A psoríase pustulosa é uma forma incomum que se caracteriza pelo aparecimento rápido de lesões avermelhadas, dolorosas e com pústulas (bolhas com pus) em sua superfície. Existe a forma localizada, que se restringe às mãos e aos pés, e uma forma disseminada, a variante mais grave, que se associa a febre, calafrios, prostração e hepatite. Essas lesões apresentam pus, mas são estéreis, ou seja, não estão contaminadas por germes e não são contagiosas.
 
Psoríase eritrodérmica: Forma mais rara de psoríase. Neste tipo ocorrem lesões avermelhadas, dolorosas  e descamativas difusamente, por mais de 80% da superfície corporal. É uma forma grave de psoríase, sendo uma emergência médica, pois a pele acometida perde sua condição de barreira, deixando o paciente exposto a infecções, desidratação e perda de eletrólitos.
 
Artrite psoriática: O acometimento das articulações - artrite (inflamação das articulações) é uma complicação que ocorre em cerca de 10% dos casos de psoríase. A artrite costuma ocorrer nas mãos ou nos pés e pode ser deformante. A lesão nas unhas costuma ser comum e não existe uma relação entre a gravidade das lesões de pele com o risco de se desenvolver a artrite.
 
A imensa maioria dos casos se apresenta como psoríase em placa. O quadro costuma ser de uma doença crônica de evolução cíclica, com períodos de exacerbação alternando com períodos de remissão. 25% dos pacientes apresentam períodos de remissão completa, ficando temporariamente sem lesões. Apesar de ser uma doença sem cura, até 80% dos casos são considerados de gravidade leve ou moderada. Pacientes com psoríase, apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, síndrome metabólica, doenças malignas, principalmente linfomas e doença inflamatória intestinal.
 
Diagnóstico
O diagnóstico é feito clinicamente através da história e do exame das lesões dermatológicas. Em casos atípicos, a biópsia de pele pode ser feita, mas esta é raramente necessária.
 
Prevenção
Não existe uma maneira específica de prevenir a psoríase, qualquer indivíduo poderá desenvolver a doença, uma vez que a condição é determinada geneticamente. No entanto, existem alguns fatores desencadeantes que, na medida do possível, podem ser afastados; principalmente para evitar o aparecimento e piora das lesões em quem já tem o diagnóstico. Manter a pele limpa e hidratada e evitar os desencadeadores de psoríase pode ajudar a reduzir o número de manifestações. São eles:
  • Traumatismo (fenômeno de Koebner) - é o principal fator no desencadeamento das lesões; esfregar e coçar estimula o processo psoriático proliferativo
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Alcoolismo
  • Fármacos: corticoesteróides sistêmicos, lítio oral, antimaláricos, interferon, beta-bloqueadores e antinflamatórios não hormonais podem agravar a psoríase preexistente e causar erupção farmacogênica psoríaseforme
  • Estresse psicológico
  • Infecções bacterianas ou virais. Ex: infecção aguda por estreptococos precipita a psoríase gutata
  
Tratamento
A psoríase é uma doença que ainda não tem cura, no entanto, existem medicamentos que ajudam a melhorar e diminuir a velocidade da evolução da doença. O sucesso da terapia depende igualmente da gravidade da doença. A escolha do tratamento depende dos seguintes fatores: tipo de psoríase; gravidade e extensão da doença; idade, sexo e condição de vida do paciente; reação do paceinte a tratamentos anteriores. A resposta aos diferentes tipos de tratamento varia muito de um paciente para outro e o componente emocional não deve ser menosprezado. Uma vida saudável, evitando-se o estresse vai colaborar para a melhora. A exposição solar moderada ajuda em grande parte dos casos e manter a pele bem hidratada também auxilia o tratamento. Seguem abaixo alguns dos tratamentos mais comumente utilizados para psoríase. Obs: Qualquer tipo de tratamento para essa patologia, deve ser sempre prescrito por um médico.
 
Opções em caso de psoríase leve (tratamento tópico):
  • Corticoesteróides tópicos
  • Análagos de vitamina D3
  • Imunomodudores
  • Alcatrão, ácido salicílico e outros tratamentos locais tb podem ser benéficos
  • Fototerapia e Excimer Laser
 
Opção em caso de psoríase severa (tratamento sistêmico):
  • PUVA terapia
  • Imunossupressores (Metotrexato / Ciclosporina)
  • Retinóides - Acitretína
  • Biológicos
  
Psoríase Couro Cabeludo
A psoríase do couro cabeludo pode ser tratadas de diferentes maneiras, dependendo do grau de acometimento. Nas formas brandas, com ausência de placas espessas, podem ser usados xampus, como o de alcatrão, seguidos da aplicação de corticosteróides de média a alta potência. Nas formas graves, com placas aderentes e espessas, devem ser removidas as escamas com produtos ceratolíticos e óleos e, também, é recomendado o uso de corticosteróides, de preferência, oclusivos. Nas formas não responsivas ao tratamento tópico, pode ser feito tratamento sistêmico, como monoterapia, ou terapia combinada ou alternada, bem como fototerapia com PUVA por via oral ou UVB narrow band.
  
Existem alguns fatores que pioram as lesões e que devem ser evitados no dia-a-dia.
Traumatismo: é o principal fator no desencadeamento das lesões, esfregar e coçar estimula o processo psoriático proliferativo.

Estresse: considerado um fator que exacerba a psoríase em 40% dos adultos.

Fármacos: corticosteróides sistêmicos, lítio, antimaláricos, interferon e beta-bloqueadores, podem agravar a psoríase. A ingestão de álcool é um possível fator desencadeante, portanto, deve ser evitada
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