(11) 5185-0570

(11) 99907-6292

Av. Arnolfo de Azevedo, 84 - Pacaembú - São Paulo - SP - 01236-0360

Pele e Obesidade

A obesidade está relacionada a inúmeras alterações orgânicas, sendo a pele também afetada. A obesidade altera a função de barreira cutânea, o funcionamentos das glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas, a estrutura e função do colágeno, a cicatrização de feridas, vasos sanguíneos e gordura subcutânea.
 
Efeitos da obesidade na pele:
Função de barreira 
A obesidade aumenta a perda de água através da pele. Em pacientes obesos mórbidos a pele apresenta-se extremamente ressecada e o reparo de feridas comprometido por essa alteração.
 
Glândulas sebáceas e produção de sebo 
A acne ocorre quando há um aumento da produção sebácea, além da obstrução do duto glandular e contaminação secundária por bactérias. Esse processo é agravado por desordens associadas à obesidade.

Nos obesos ocorre um aumento dos níveis de insulina e hormônio do crescimento, o que leva a um aumento secundário da secreção sebácea, já que receptores celulares relacionados à produção de sebo são estimulados por esses hormônios, com consequente piora do quadro de acne. Os quilos extras causam ainda, diminuição da globulina transportadora de esteróides sexuais (hormônios sexuais) - "SHGB", que é recrutada perifericamente pela gordura acumulada no corpo, levando a um aumento da testosterona livre, que estimula o aumento da oleosidade da pele, a piora da acne e o hirsutismo (aumento dos pelos no corpo).
  
Glândulas sudoríparas (suor) 
Os pacientes obesos têm tecido subcutâneo mais espesso, secundariamente esse espessamento leva a um aumento da secreção de suor pelas glândulas sudoríparas – hiperidrose.
  
Sistema linfático 
A obesidade impede ou retarda o fluxo linfático, o que conduz à retenção de líquido no subcutâneo, alteração chamada de linfedema.
 
Vasos sanguíneos 
A concentração de gordura em certas regiões do corpo, como nas pernas, por exemplo, provoca dilatação dos vasos sanguíneos, além disso, há aumento do risco de obstrução vascular ocasionando pela deposição de gordura na parede das artérias. Essas alterações levam ao aparecimento de varizes, e, eventualmente, tromboses. A circulação sanguínea na pele está aumentada em indivíduos obesos.
 
Estrutura do colágeno e cicatrização 
A obesidade está associada com mudanças na estrutura do colagéno. O colágeno é responsável pela sustentação e firmeza da pele e participa do processo de cicatrização. No entanto, flacidez e rugas não são tão evidentes nos obesos, pois existe aumento da gordura subcutânea, que “preenche” as áreas deficitárias.
 
Gordura subcutânea 
A gordura subcutânea é composta quase que inteiramente por tecido adiposo branco. Sua função em seres humanos normais é fornecer isolamento térmico e armazenar energia. Os indivíduos obesos têm gordura subcutânea adicional. Os adipócitos (células de gordura) segregam e recrutam peptídeos hormonais, interferindo nos níveis dos hormônios circulantes, o que resulta em várias consequências metabólicas.
 
Manifestações de pele comuns em indivíduos obesos:
Acantose Nigricante 
É o problema de pele mais comum na obesidade. É ocasionada pelo excesso de testosterona circulando pelo corpo, que leva ao escurecimento das axilas, virilhas e de outras áreas onde existam dobras. A acantose nigricante está associada com resistência à insulina.
 
Acrocórdons 
Outro problema comum nas pessoas obesas é o aparecimento na região do pescoço e axilas (áreas de atrito) de lesões de pele pedunculares, chamadas fibromas moles ou acrocórdons, que são semelhantes a verrugas.
 
Queratose pilar 
São pápulas hiperqueratósicas (“bolinhas ásperas”) que se localizam na superfície externa dos braços.
 
Estrias 
O peso acima do normal provoca estiramento excessivo da pele e como consequência o aparecimento de estrias, que localizam-se principalmente nas mamas, coxas, nádegas e abdome. Inicialmente são avermelhadas e numa fase mais tardia tornan-se brancas e atróficas.
 
Doenças de pele agravadas pela obesidade:
 Algumas doenças de pele são agravadas pela obesidade e pelo excesso de peso. Estas incluem:
  • Linfedema
  • Psoríase
  • Insuficiência venosa crônica
  • Síndrome da resistência à insulina
  • Celulite
  • Infecções fúngicas e bacterianas
  • Hiperceratose relativa da planta do pé (espessamento plantar)
  • Hidradenite supurativa
  • Tofo gotoso
  • Intertrigo 
 
Acne e Obesidade
A acne resulta de uma mudança no padrão de ceratinização da unidade pilossebácea (pêlo e glândula sebácea), tornando-se o material ceratinoso mais denso e bloqueando a secreção do sebo. Estes tampões ceratinosos são chamados comedões (cravos) e representam as “bombas-relógios” da acne. O tamponamento comedogênico e a complexa interação entre os androgênios (hormônios sexuais) e as bactérias (Propionibacterium acnes) nas unidades pilossebáceas tamponadas levam à inflamação. Os androgênios estimulam as glândulas sebáceas a produzir maiores quantidades de sebo.

Assim sendo, as manifestações da doença (cravos e espinhas) ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilossebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido.

É uma doença multifatorial. Fatores genéticos mostram sua participação. Severidade, distribuição, cicatrizes e resposta ao tratamento, podem ser geneticamente determinadas. Ex: Alta concordância de gêmeos monozigóticos, quando portadores de acne. A maioria dos indivíduos com acne cística tem pais com história de acne grave.

Outros fatores contribuintes: fármacos, fatores emocionais, dieta, tabagismo, período pré-menstrual, alterações hormonais, cremes e cosméticos.

A acne é uma doença de predisposição genética cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais. Devido a isso, as lesões começam a surgir na puberdade, época em que estes hormônios começam a ser produzidos pelo organismo, atingindo a maioria dos jovens de ambos os sexos. A doença não atinge apenas adolescentes, podendo persistir na idade adulta e, até mesmo, surgir nesta fase, quadro mais frequente em mulheres (8% apresentam início após 25 anos, e, com cerca de 40 anos lesões significativas persistem em 1% dos homens e 5% das mulheres). É mais comum entre os adolescentes, afetando aproximadamente 80% dos jovens entre 12 e 18 anos. Predomina no sexo feminino, tendo início em torno dos 14 anos (10 – 17 anos), enquanto, no sexo masculino, aparece em torno dos 16 anos (14 – 19 anos). As formas mais graves ocorrem preferencialmente nos homens.

A doença pode aparecer nesta fase da vida, ou, ser resultado da persistência da acne juvenil. Pode surgir em decorrência de alterações hormonais devidas a disfunções ovarianas (a mais frequente é a síndrome dos ovários policísticos), alterações das glândulas supra-renais ou um aumento da sensibilidade da pele aos hormônios androgênicos (masculinos), responsáveis pelas manifestações da doença.

Apesar da acne da mulher adulta estar relacionada ao aumento da ação dos androgênios, muitas vezes os exames laboratoriais estão dentro de níveis normais, caracterizando, então, uma maior sensibilidade da pele a estes hormônios.

Outras características podem estar acompanhando a acne da mulher adulta, devido à ação dos androgênios: aumento da seborreia, aumento de pelos (hirsutismo) e queda de cabelos (alopecia androgenética). Em alguns casos pode ocorrer também irregularidade menstrual.

Apesar de não ter participação na causa da doença, a dieta pode ter influência no curso da acne em algumas pessoas. Alimentos como chocolate, gorduras animais, amendoim e o leite e seus derivados devem ser evitados pelos pacientes que apresentem acne e percebam agravação dos sintomas após a ingestão dos mesmos. Alguns trabalho mostram à influência de alimentos de alto índice glicêmico (carboidratos) na piora do quadro de acne. As elevações de glicose no plasma ocorrem em conseqüência da ingestão de uma carga significativa de glicose, estas elevações podem causar um aumento da testosterona e uma diminuição dos hormônios sexuais envolvidos no controle da secreção das glândulas sebáceas. No entanto, ainda há dados insuficientes que possam comprovar que uma dieta rica em gordura ou carboidratos possa interferir na quantidade e na composição da secreção formada pelas glândulas sebáceas, o que poderia influenciar no aparecimento da acne. Uma avaliação individual é importante, assim como a manutenção de uma dieta equilibrada e a administração dos medicamentos recomendados pelo dermatologista.
« Voltar