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Nutricosméticos

Pílulas contendo nutrientes consagram-se como o mais novo fenômeno da beleza e são indicadas por médicos para atenuar rugas, melhorar o viço da pele, combater a celulite e fortalecer unhas e cabelos, entre outros efeitos
   
A rigor, a palavra nutricosmético não existe em português, mas tem sido empregada rotineiramente no balcão da farmácia, nos consultórios e em encontros internacionais de dermatologia para descrever o mais recente fenômeno mundial no campo da beleza. São pílulas multicoloridas que contêm uma associação de vitaminas, minerais, carotenóides e flavonóides, entre outras substâncias, com a missão de combater as carências nutricionais, a oxidação dos tecidos e estimular as funções da pele para restaurar a beleza do corpo e do rosto. O conceito surgiu com a proposta de nutrir internamente a pele, o que nem sempre pode ser feito pelos cremes de forma tópica. Ainda que os suplementos de vitaminas estejam no mercado há anos, só agora estamos entendendo melhor a importância da dieta na saúde e beleza da pele.
    
A questão central é o que realmente se pode esperar dessas pílulas. De modo geral, nós dermatologistas, consideramos como um recurso interessante. Trata-se de um conceito de beleza de dentro para fora, que associa a boa condição da pele com saúde para melhorar a aparência. Em tese, eles oferecem minerais e vitaminas em uma forma química que permite melhor absorção pelo organismo, quando comparados aos suplementos tradicionais.
   
A maior parte dos produtos nutricosméticos usa em sua composição as chamadas substâncias antioxidantes. São compostos como as vitaminas A, C e E, o licopeno (presente no tomate em maior quantidade), os bioflavonóides (encontrados nas frutas cítricas e uvas escuras), as catequinas (presentes no chá verde, uvas e morango, entre outras), o ácido fenólico (está no brócolis, cenoura, grãos integrais) e a quercetina (das cascas de uva e vinhos). Na literatura científica, eles aparecem como recursos capazes de prevenir o envelhecimento precoce das células por meio de um mecanismo razoavelmente complexo. Resumidamente, eles combatem a oxidação dos tecidos, o que leva ao envelhecimento.
    
A oxidação é atribuída aos radicais livres, moléculas que se formam por uma reação natural do organismo ao processo de queima do oxigênio pelas células. Como são muito instáveis, rapidamente se associam às moléculas próximas, o que pode levar a danos em células sadias. Em 99% dos casos, o corpo repara esses estragos. Mas se a produção de radicais livres aumentar muito, incentivada por doenças, alimentação ruim, radiação ultravioleta do sol ou fumo, entre outros agressores, fica difícil neutralizar as conseqüências de seu acúmulo no corpo, como o aparecimento de manchas na pele, rugas, falta de hidratação e maior predisposição a doenças. Aí é que entram em cena as doses adicionais de substâncias antioxidantes. As vitaminas, minerais como o selênio e compostos como o licopeno, entre outros com funções antioxidantes, se ligam aos radicais livres, anulando sua ação. Além disso, os cientistas estão se deparando com alguns desafios científicos para apurar a intensidade do desempenho desses produtos. Nós ainda não temos nenhuma tecnologia que nos permita avaliar exatamente quanto os antioxidantes conseguem reduzir a presença de radicais livres na pele humana.
   
Existem diversos estudos bem feitos com tecidos in vitro, ou seja, no laboratório, e um número ainda pequeno de trabalhos realizados com rigor com seres humanos. É preciso que existam trabalhos independentes, que não sejam financiados pelos fabricantes, e um maior número de estudos com voluntários para se chegar a alguma conclusão. Além disso, pesquisadores estão se deparando com algumas limitações para apurar a fundo o desempenho desses produtos.
   
Com a expansão do uso dos nutricosméticos, cresce também entre os médicos a preocupação em alertar para aspectos do uso que não podem ser ignorados. Os efeitos só começam a aparecer depois de pelo menos três meses de uso regular. Além disso, é sabido que os nutricosméticos só agem se a pessoa apresentar uma deficiência nutricional, tanto em homens, quanto mulheres. Num padrão ideal, os antioxidantes que o organismo requer para a batalha contra os radicais livres seriam fornecidos por uma dieta equilibrada, mas é muito difícil obter tudo o que precisamos da alimentação, daí a idéia de suplementar.
    
Um erro comum no consumo desses produtos é ignorar contra-indicações. É essencial averiguar se o paciente é alérgico a algum componente da fórmula. Há, por exemplo, cápsulas que contêm Ômega 3 e componentes tirados de frutos do mar aos quais algumas pessoas são alérgicas. É também indispensável conhecer o perfil da saúde da paciente e perguntar se ela é diabética, por exemplo. Há cápsulas em que os açúcares contidos na embalagem podem levar a alterações na taxa de açúcar no sangue do paciente..
    
Tomar nutricosméticos por contra própria é uma conduta inadequada. Há muitos casos de pessoas que recorrem a mais de um suplemento ao mesmo tempo, no entanto, associações e/ou uso indevido podem desencadear efeitos indesejados. É por essa razão que a indicação de um nutricosmético passa por várias etapas. É preciso descartar causas de queda de cabelos como doenças e carências de minerais como o ferro, que não estão presentes nessas fórmulas. Exames laboratoriais devem ser solicitados para avaliar quais realmente são os minerais em carência.
    
Esses cuidados são importantes também para evitar a ingestão excessiva de vitaminas e minerais. É o que ocorre se a pessoa já se alimenta bem. Por isso é fundamental avaliar a dieta do paciente antes de receitar. O maior risco é em relação à vitamina A, que pode se elevar perigosamente se houver suplementação excessiva. Quem ingere vitamina A demais, por alimentação ou suplementação, corre o risco de ter sintomas como pele seca, áspera e descamativa, dores de cabeça e náuseas. O corpo sempre reage os excessos. Por exemplo, pesquisas feitas na Finlândia e Estados Unidos indicam que dosagens muito altas de betacaroteno por suplementação estão ligadas a maior chance de ter danos celulares.
    
O que também é preciso ter em mente quando se recorre aos cosméticos orais é que eles geralmente fazem parte de um tratamento amplo. Ou seja, não realizam milagres sozinhos. Por isso, não se pode esperar que apenas uma pílula acabe com as rugas do rosto ou faça desaparecer os furinhos da celulite. A celulite, por exemplo, é causada por diversos fatores. Quem se decide a enfrentá-la precisa também agir de modo a modificar diversos padrões. O nutricosmético será mais um deles. No tratamento de linhas de expressão é a mesma coisa. Os produtos não substituem o creme anti-idade e os procedimentos, mas podem potencializar seus efeitos.
 
Tipos mais comuns de nutricosméticos:
  • Fortalecimento de unhas e cabelo: A biotina é um dos ativos mais usados nesse tipo de produto. Zinco e ferro também são componentes comuns. 
  • Proteção Solar: Úteis para quem tem tendência a desenvolver manchas. Muitos contêm carotenóides, que não apenas auxiliam no bronzeado, mas também aumentam a proteção da pele contra queimaduras. solares. Deve-se começar a tomar um mês antes da exposição solar, e continuar tomando por alguns dias depois. Importante: este produto não substitui o uso do protetor solar. 
  • Celulite: Possuem ativos de efeito drenante e que melhoram a tonicidade dos vasos sanguíneos, favorecendo a circulação. O ativo mais usado para esse fim é a cafeína. O óleo de cártamo também aparece com frequência neste tipo de composição. 
  • Envelhecimento: Geralmente, é feito um coquetel de ativos antioxidantes (que combatem os radicais livres), como as vitaminas C e E e o silício orgânico, que também ajuda na formação de colágeno. 
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